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Perfil

Grande Reportagem Interativa

Quem é Ana Borges?

O futebol sempre a atraiu. Lembra-se de trocar tudo por uma bola desde que se conhece. Um dia, de calças de ganga e botas, fez um treino na Fundação Laura Santos. Nunca mais abandonou a modalidade. Hoje, Ana Borges é uma uma peça imprescindível da Selecção e do Chelsea. Pela equipa das quinas soma mais de 100 internacionalizações. Já no Chelsea, é uma das estrelas e recentemente ganhou o Campeonato e a Taça de Inglaterra.

NOME: Ana Catarina Marques Borges
NATURALIDADE: Guarda
DATA DE NASCIMENTO: 15 de Junho de 1990
ALTURA: 1,60m
PESO: 54 KG
CLUBE ATUAL: Chelsea Fc
CAMISOLA SELEÇÃO: 9
POSIÇÃO SELEÇÃO: Avançado
Dados e Estatísticas na Seleção:
Internacionalizações: 78 (Seleção A); 27 (SUB-19)
Minutos jogados: 6492 (Seleção A); 2219 (SUB-19)
Golos Marcados: 9 (Seleção A); 5 (SUB-19)
Cartões Amarelos: 6 (Seleção A); 2 (SUB-19)
Cartões Vermelhos: 0

Ana Borges - um autorretrato
“Tudo começou quando eu tinha os meus 9 anos e comecei a sair de casa para jogar com os rapazes num ringue perto de casa. Na altura a minha mãe não gostava e então aproveitava para ir jogar quando ela estava no trabalho e sempre que chegavam as 17h00 ia a correr para casa e fazia de conta que estava a estudar. Há medida que os anos foram passando ela deu-se conta e a certa altura (já eu andava na preparatória), mal chegava a casa da escola, atirava a mochila e ía a correr jogar. Claro que, muitas vezes ela ia atrás de mim e fazia-me voltar para casa. Um dia fui abordada por uma companheira, agora da Seleção, para ir para uma equipa feminina, a Escola de Oeiras e eu respondi-lhe que não queria jogar numa equipa, até porque nem sabia que existia campeonato, seleção distrital e muito menos seleção nacional de futebol feminino. Eu queria apenas jogar com os rapazes. Continuei a jogar com eles e no desporto escolar, até que um dia um vizinho me levou a um treino da Fundação D. Laura dos Santos. No início estava um bocado com o pé atrás, mas mal toquei na bola e a jogar com as outras raparigas e já não quis voltar para casa. Joguei de botas e calças de ganga! Naquele momento tive a certeza que queria estar e ficar na Fundação e foi onde comecei a jogar aos 13 anos. Nesse ano tudo corria bem e fui chamada à seleção distrital da Guarda. Mais motivos tinha eu para 'sonhar'. Lembro-me que era a mais nova e muito pequenina de cabelo curto. No 2º ano na Fundação tive o azar de ter uma rotura de ligamentos e fiquei 1 ano sem jogar. Não podia ser operada, estava a crescer...mas depois regressei mais forte e sem pensar no ano menos bom que tinha passado. Continuei mais 3 anos na Fundação. Fomos campeãs distritais e no último subimos à 2ª divisão nacional onde eu já não tive a oportunidade de jogar porque foi o ano em que surgiu a 1ª oportunidade de ir para o estrangeiro. Antes disso, lembro-me que o ano anterior fui chamada à seleção nacional. Éramos mais de 30 atletas na 1a concentração. Depois houve uma fase de qualificação para o europeu na Turquia e nunca pensei ser chamada até porque apenas podiam ficar 18 jogadoras e muitas ingressavam em equipas do campeonato nacional. Depois de vários treinos fui selecionada. Nunca se esquece a 1ª internacionalização – a minha foi na Turquia. A seguir recebi um convite para ir para o Zaragoza em Espanha. Na altura falei com várias pessoas porque o futebol era tudo para mim e os meus pais queriam certificar-se que era o melhor para mim. Andava eu no 10º ano a tirar desporto. Tinha 17 anos e decidi aceitar. Pensei que poderia não voltar a ter aquela oportunidade e os estudos poderiam esperar. Tive 5 anos em Espanha. O 1º ano foi muito difícil, estava longe de tudo e de todos. Confesso que havia noites que chorava, mas tentava sempre que fosse sem ninguém por perto. Fazia-me de forte mas depois lá me habituei e 'aprendi' a estar sem os que mais queria. Depois do Zaragoza tive no Blue Heat, na Califórnia. Uma experiência fantástica, num país aparte de todos e com pessoas muito hospitaleiras! Graças a isso e aos 5 anos que tinha estado no Zaragoza (uma equipa que andava sempre a meio da tabela), acreditei mais em mim e achei que era o momento de arriscar numa equipa grande. Achei que podia dar esse passo e que estava preparada para tal. Foi quando surgiu o Atlético de Madrid. Pelo meio houve outras equipas interessadas em mim, como foi o caso do Barcelona. Nunca se concretizou porque tinha contrato com o Zaragoza e eles não me soltavam. Acabei por aceitar o Atlético porque já tinha outros objetivos e as condições eram outras, mas não monetariamente. Achei que era ali que iria ficar por algum tempo e tudo corria bem até que a meio da época e com a mudança de treinador a minha opinião mudou consideravelmente, e comecei a perder aquela vontade que tinha pelo futebol. Achava que não valia a pena estar longe da família e dos meus amigos. Foi quando surgiu uma proposta do Liverpool. Eu tinha conhecimento que era uma grande equipa, campeãs e com participação na Liga dos Campeões. Entusiasma qualquer jogadora, mas ao mesmo tempo pensei que era um risco enorme ir para lá. Foi então que surgiu o Chelsea. Sendo uma equipa em crescimento e com objetivos definidos, e estavam a dar os 1os passos na 1ª divisão e isso agradou-me. Nunca gostei de dar grandes passos, sempre fiz as coisas com calma e no momento certo. O 1º ano no Chelsea quase que ganhava o campeonato. Perdemos por 1 golo, mas foi o Liverpool campeão. Nunca me arrependi da minha escolha! No ano passado fui campeã inglesa e ganhámos a Taça de Inglaterra. Joguei pela 1ª vez na Liga dos Campeões. É por estes momentos que vale a pena esperar tanto tempo, arriscar e deixar tudo e todos! Posso dizer que o futebol já me deu muitas coisas, óbvio que nem tudo é um mar de rosas, mas já fui a muitos países, já conheci muitas pessoas, tive e tenho o privilégio de jogar pelo meu país, e penso que sou uma sortuda porque há muitas meninas que queriam estar no meu lugar e isso ajudou-me e ajuda-me a superar todas as saudades e todos os obstáculos. Dizem que no futebol não se está para fazer amizades, mas eu acho que no meio do futebol feminino o mais importante que eu levo são certas amizades até porque financeiramente nunca vamos ter a vida feita e um dia isto acaba. Eu sou feliz por fazer o que gosto e por ter uma família que me ajuda e se orgulha Apesar da distância, já são 9 anos fora”.

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